A promessa de que “todos podem vencer” esbarra nos limites do mercado: o Brasil real precisa de proteção social
Vamos pensar juntos sobre alguns dados de um município similar à maioria das unidades federativas básicas do Brasil: Magalhães de Almeida (MA).
A população é de 13.807 moradores, metade mora na sede e a outra metade em distritos e povoados na zona rural.
Por faixa de idade, 3.257 habitantes têm menos de 14 anos, 1.251 entre 14 e 18, 7.528 entre 18 e 50 e 1.837 mais de 50 anos.
Em cada 100 moradores, 58 vivem com até meio salário-mínimo por mês, para cada pessoa da casa.
São 2.595 os beneficiários do Bolsa Família.
Na sede, 3.764 pessoas têm entre 18 e 50 anos.
E 1.843 são servidores públicos ou empregados com carteira assinada.
Além de poucas empresas rurais que trabalham com soja, funcionam minimercados, mercearias e pequenos comércios.
Na hipótese de 2.000 moradores aprenderem algumas profissões, como teriam carteira assinada? Em quais atividades iriam trabalhar? Como poderiam abrir o próprio negócio?
É óbvio que apenas qualificação, sozinha, não cria vaga. Para ter emprego, é preciso existir mercado, empresa que contrate e gente que compre.
Para começar um negócio próprio é necessário que a economia seja dinâmica e não estagnada.
Dessa forma, podemos concluir que, mesmo com programas sociais, parte da população pobre, preta e periférica continuará precisando de apoio para garantir o sustento não apenas por 2 anos, não apenas no Brasil, mas no mundo.
A propósito, a chamada “teoria da prosperidade” vende a ideia de que todos podem vencer como empreendedores, mas ignora limites reais do mercado.
Nem todos têm perfil ou condições para empreender, e muitos ficam sem proteção social. Casos de sucesso são exceções.
Sem políticas públicas, educação e segurança econômica, a promessa do sucesso individual pode gerar frustração e ampliar a vulnerabilidade social.
Saiba mais:
https://bernardocarvalho.substack.com/p/prosperidade-sem-rede-estado-minimo
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