Quarto
mandato: vitória da Democracia, hora de mais Ousadia
Confiança
popular não é cheque em branco: é compromisso!
Eis
uma agenda para que o próximo mandato seja o melhor da nossa história.
Uma
vitória maior que um nome
Os números contam uma
história de enorme significado. Lula recebeu 64.256.232 votos, equivalentes a
51,79% dos 124.082.273 válidos, com vantagem de 4.430.191 votos. Essa margem
foi construída por quem decidiu fazer a diferença: idosos, jovens e eleitores
que haviam se abstido ou votado em branco ou nulo no primeiro turno.
Não foi apenas Lula quem
ganhou. Venceu o Brasil que se recusou a trocar o futuro pelo medo. Venceram a Democracia,
a Civilidade e a Vida. O país preservou o direito de seguir escolhendo o
próprio destino em liberdade.
Foram derrotadas, nas
urnas, muitas ameaças que marcaram os últimos anos: golpismo, autoritarismo,
ataque às instituições, negacionismo, mentira como método, banalização da
violência, racismo, misoginia, homofobia, capacitismo, etarismo, bolsonarismo,
obscurantismo, fascismo, barbárie, necropolítica, boçalidades, atraso e tantas
outras mazelas.
Derrotar é o primeiro
passo. Substituir exige projeto.
Responsabilidade
redobrada, mobilização permanente
O momento não é só de
entusiasmo e euforia. É de responsabilidade.
Quem vota com esperança
cobra resultados, e a melhor resposta a essa cobrança é um governo competente,
eficaz, eficiente, com participação popular efetiva e disposição para realizar
mudanças com mais ousadia.
A mobilização das ruas não
pode terminar na apuração. Ela precisa continuar, com maior frequência, para
proteger a Democracia, fortalecer a consciência política do povo, defender
governos comprometidos com as causas sociais e reduzir as desigualdades sociais
e regionais. Que essa capacidade de mobilização se transforme em uma etapa de
muitas conquistas.
O Brasil precisa e quer
mais.
As propostas a seguir,
organizadas em seis eixos, são uma contribuição para esse debate: medidas administrativas
e mudanças legislativas que combinam justiça fiscal, exemplo do Estado,
participação popular, ética, coerência, abolição de privilégios, reforma do
judiciário, reforma política, transparência, segurança, saúde, trabalho, meio
ambiente e qualidade de vida.
Eixo
1. Contas públicas: atacar os juros, não o pobre
O problema fiscal
brasileiro é, antes de tudo, um problema de juros, e não de gasto social. A
queda dos juros é o maior “corte de gasto” possível, e eles já pesam mais no
orçamento do que os da Previdência. Para equilibrar as contas, é por aí que se
deve começar.
·
Aliviar a dívida pública. Alongar o prazo de vencimento dos
títulos. Estabelecer limite de 5% do PIB anual para o pagamento de amortizações
e juros. Realizar a Auditoria da Dívida Pública, conforme previsto no Art. 26
do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal
(CF) de 1988.
·
Domar a especulação. Regulamentar o fluxo de capitais
externos, com finalidades, prazos de internalização e reinvestimento, para
reduzir os efeitos nocivos da lógica de cassino.
·
Rever as renúncias fiscais. As renúncias tributárias somam quase
quatro vezes o Bolsa Família. Reduzir em 5% ao ano o montante das renúncias
tributárias, mediante revisão de benefícios, incentivos e isenções existentes,
evitando sua renovação ou prorrogação, até zerar os privilégios atuais. Novos
incentivos poderão estar condicionados a contrapartidas mensuráveis.
·
Cobrar de quem pode mais. Regulamentar o Imposto sobre Grandes
Fortunas, em cumprimento ao inciso VII do Art. 153 da CF (ADO 31). Cobrar IPVA
de helicópteros, lanchas, iates, embarcações luxuosas e jatinhos.
·
Proteger a mesa do brasileiro. Manter estoque regulador de alimentos
essenciais, com monitoramento preventivo da necessidade de importação, da
respectiva tributação e dos riscos de exportação, desabastecimento e inflação.
O argumento central é de
justiça: o ajuste não deve recair sobre quem depende do Estado para comer,
estudar e cuidar da saúde, mas sobre juros, privilégios e rendas.
Eixo
2. Um Estado que dá o exemplo
Nenhum governo pode pedir
sacrifício com legitimidade se não começar por si mesmo. Esta é a agenda do
exemplo, com medidas simples de entender e fáceis de fiscalizar:
·
Reduzir
o GSI/PR, que tem mais de 1.000 servidores militares, para, no máximo, uma
centena. Revisar a dotação de pessoal em todas as áreas do governo para
eliminar sobreposições, excessos e carências, considerando a automação de
muitas tarefas, o novo mundo digital, critérios de eficiência, economicidade e
continuidade dos serviços.
·
Reduzir
a quantidade de viagens de servidores federais, priorizando reuniões virtuais.
Reduzir à metade as viagens de ministros em aviões da FAB, otimizando
deslocamentos com, pelo menos, três autoridades.
·
Reduzir
em 50% as verbas e auxílios a parlamentares federais e seus gabinetes, e em 50%
os recursos dos Fundos Partidário e Eleitoral.
·
Reduzir
em 10% ao ano o valor total das emendas parlamentares (R$60 bilhões em 2025). Abolir
a execução direta de recursos por emendas, caminhando para o fim das emendas
aos orçamentos da União, dos Estados e dos Municípios, apontadas como fonte de
desvios e balcão de negócios.
·
Extinguir
o uso da “morte ficta” pelas Forças Armadas.
·
Alterar
o Art. 19 da Lei de Responsabilidade Fiscal para limitar a despesa com pessoal
à receita corrente líquida: 20% na União, 30% nos Estados e 40% nos Municípios.
·
Acabar
com os recessos de dois meses de juízes, promotores e serventuários, que
passariam a ter 30 dias de férias anuais, em escalas.
·
Extinguir
os Regimes Próprios de Previdência Social de servidores municipais.
·
Cruzar
o CPF dos beneficiários do Bolsa Família/BPC e respectivas contas bancárias cuja
movimentação seja superior a R$5 mil por mês, para verificar se há
desenquadramento, irregularidades e, se for o caso, cancelar benefícios
indevidos, mediante proteção de
dados pessoais e bancários, possibilidade de comprovação da origem dos recursos
e direito de defesa antes do cancelamento de benefícios.
·
Utilizar eficazes mecanismos externos de
avaliação do desempenho de repartições e servidores públicos, pelos respectivos usuários atendidos.
·
Regulamentar normas
para que presidente da República, governador e prefeito só possam nomear a alta
direção de ministérios, secretarias, autarquias, fundações, institutos e
empresas públicas, devendo os demais cargos ser ocupados obrigatoriamente por
servidores concursados.
·
Realizar
cruzamentos de dados (CAGED, CadUnico, RAIS, FGTS, SERASA, Cartórios e outros)
antes da emissão de CNPJ e realizar prévia e obrigatória visita técnica de
servidor concursado, para evitar/reduzir uso indevido de “laranjas”, empresas
“de fachada” e outras irregularidades.
Proteger quem precisa
significa também cuidar para que o dinheiro chegue a quem precisa.
Eixo
3. Mais povo na decisão
A Democracia não pode ser
um evento de quatro em quatro anos. Para que o cidadão seja protagonista, é
preciso abrir canais permanentes:
·
Implementar Orçamento Federal
Participativo, para
que a população ajude a definir prioridades.
·
Comunicação em mão dupla. Unificar e agilizar a comunicação do
governo com a população (ouvindo as ruas, as redes e as bases, suas demandas,
reclamações e sugestões, dando respostas) com amplo uso de meios digitais, e diálogo
constante com empresários, agronegócio, bancos, educadores, cientistas, trabalhadores,
mulheres e juventude.
·
Iniciativa popular facilitada. Reduzir para 0,01% do eleitorado
nacional o apoio mínimo para projetos de lei de iniciativa popular (alteração
do § 2º do Art. 61 da CF).
·
Instrumentos de democracia direta. Implementar revogação/veto popular
(PEC 80/2003), consultas populares (PLS 269/2005 e 82/2003) e plebiscitos e
referendos (PL 4.718/2004 e 6.928/2002), para dar efeito prático à soberania
popular consagrada no Art. 14 da CF.
Eixo
4. Política com mais preparo, menos privilégio e mais coerência
Muitos candidatos desconhecem
o significado do mandato e as atividades do cargo. Não se trata de discriminação,
mas de exigir de um mínimo de preparo indispensável. O conjunto de medidas
abaixo busca elevar a qualidade da representação e a confiança do eleitor:
·
Capacitação e compromisso. Aprovar Proposta de Emenda
Constitucional (PEC) para estabelecer participação obrigatória de candidatos a
cargos eletivos em Curso de Formação Básica em Gestão Pública, com, no mínimo, 120
horas-aula, ministrado por universidades federais, antes do registro de
candidatura (abordando noções de Constituição, processo legislativo,
transparência, orçamento, responsabilidade fiscal, controle social e outros
temas). Não se trata de exigir grau de escolaridade. Para registro de candidaturas
ao Executivo, exigir apresentação de um Programa de Metas, com prioridades,
indicadores e orçamentos estimados, como já ocorre na Lei Orgânica do Município
de São Paulo. Estabelecer mecanismos de acompanhamento e prestação de contas
periódica sobre o cumprimento das propostas eleitorais, com justificativas
públicas sobre alterações ou metas não alcançadas.
·
Partidos mais democráticos. Aprovar PEC para estabelecer que os
estatutos partidários contenham regras mínimas de fidelidade partidária,
formação política, transparência e participação dos filiados nas decisões (Art.
17 da CF). Elevar para cinco anos o prazo mínimo de filiação para candidaturas
(com escolha em votação interna). Dividir o Fundo Partidário em três partes: 1/3
igualitário, 1/3 proporcional à bancada federal e 1/3 proporcional às bancadas
estaduais e municipais.
·
Candidaturas idôneas. Cumprir de fato a Lei Complementar
135/2010 antes do registro, para coibir a participação em eleições de quem
depois pode ser afastado, com enorme prejuízo para a sociedade.
·
Mandato mais próximo do eleitor. Adotar o voto distrital misto (PL
9.212/2017), que favorece a coerência do eleito e a cobrança do eleitor. Implementar
processo de votação mais moderno, de menor custo, em favor do cidadão: “Eleições do
Futuro” (https://bityli.com/8rLOU), com vistas ao Voto
Eletrônico (e-voto);
·
Campanhas mais honestas e baratas. Propaganda em rádio e TV apenas com
gravação em estúdio, centrada em propostas. Fim de carros de som, cavaletes,
bandeiras e carreatas. Proibição de pagamento a ativistas de campanha, com
fiscalização.
·
Neutralidade político-partidária das
carreiras de Estado. Aprovar
PEC para proibir candidaturas e atuação político-partidária de policiais,
bombeiros, delegados, juízes, promotores, desembargadores, procuradores,
defensores e outros cargos.
·
Ciclo eleitoral mais claro, eficaz e
educativo. Aprovar
PEC para estabelecer mandatos de 5 anos (reduzir o dos senadores). Fim da
reeleição consecutiva. Eleições anuais escalonadas (vereadores e deputados
estaduais/distritais no 1º ano, prefeitos no 2º, deputados federais e senadores
no 3º, governadores no 4º e presidente no 5º, contemplando regras de
transição, duração excepcional dos mandatos iniciais, compatibilização dos
calendários, renovação parcial ou integral dos legislativos. Fim da suplência para o Senado.
Eixo
5. STF e Congresso Nacional: Eficácia, controle e transparência
Democracia forte precisa
de instituições ágeis que respondam pelos seus atos.
·
Judiciário. Transformar o Supremo Tribunal
Federal (STF) em uma verdadeira Corte Constitucional. Mandato de 15 a 20 anos, com
permanência limitada aos 75 anos de idade. Quórum mínimo de 7 votos para
validade de decisões do Plenário e não maioria simples. Reduzir privilégios
processuais que hoje retardam a responsabilização de agentes públicos. Imprimir
mais celeridade, transparência e responsabilização a todo o sistema de Justiça. Abolir a imunidade processual para
crime comum nos três poderes e nos três níveis da federação.
·
Legislativo. Obedecer à regra “primeiro a entrar,
primeiro a sair” na pauta, sem concentração do poder de agenda. Cumprir o prazo
de até seis meses para aprovar ou rejeitar propostas. Elaboração, pela OAB, CNJ,
instituições de ensino superior e organizações da sociedade civil sem vínculos
partidários, de propostas de novos regimentos internos para o Senado Federal, a
Câmara dos Deputados e o Congresso Nacional.
·
Profissionalização. Abolir a nomeação para cargos no
Legislativo e no Judiciário, mediante profissionalização das atividades
permanentes de assessoria e consultoria realizadas por servidores concursados.
·
Licitações com controle preventivo e
menos brechas para distorções.
Alterar a Lei 14.133/2021 para submeter minutas de editais, acima de
determinado valor, a análise prévia dos Tribunais de Contas, com antecedência
mínima de 30 dias da publicação, para que o controle seja proativo e
tempestivo, e não reativo e tardio. Propõe-se também que os editais sejam
publicados com planilhas, especificações e quantitativos, mas sem preços nem
valor estimado (a pesquisa de preços continua sendo feita e integra o processo,
mas não pode ser divulgada).
Eixo
6. Segurança, saúde, trabalho, meio ambiente e educação
No fim, o que importa é o
dia a dia das pessoas e uma vida digna.
·
Segurança Pública. Aprovar a PEC 18/2025. Ampliar o monitoramento das
fronteiras para combater o contrabando e o tráfico de drogas, armas e pessoas.
Adotar medidas eficazes contra a posse indiscriminada de armas. Regulamentar “big
techs” e redes sociais, porque crime no mundo digital deve ser tratado como
crime na vida real.
·
Saúde. Melhorar a gestão do SUS com um
Prontuário Eletrônico Único da Saúde (PEUS), reunindo dados como identificação,
tipo sanguíneo, doenças, alergias, medicamentos de uso contínuo, histórico de
atendimentos, prescrições e procedimentos, agendamento de consultas eletivas e/ou
acompanhamento, além da manifestação digital do cidadão, que atesta o
atendimento recebido e avalia o serviço e os profissionais. Aprimorar a cobrança
de empresas de saúde suplementar do custo de atendimentos realizados pelo SUS e
entidades filantrópicas a beneficiários de planos de saúde, conforme o artigo
32 da Lei 9.656/1998.
·
Trabalho e renda. Implementar um Programa de Renda
Mínima. Ampliar investimentos em pesquisa, desenvolvimento tecnológico, nova
indústria e nas economias digital, verde e criativa, com mais trabalho e renda.
Isso vem acompanhado de alerta sobre o empreendedorismo precário, que precisa de
medidas regulatórias, educativas e esclarecedoras:
I.
62%
de quem trabalha exclusivamente por aplicativos usa uma única plataforma, que
fixa o preço sozinho, mais parecido com monopsônio do que livre mercado. Motorista
de aplicativo, por exemplo, não contabiliza depreciação, manutenção, IPVA,
seguro e licenças. A ausência de contribuição previdenciária regular leva à
perda da qualidade de segurado e, consequentemente, à perda da proteção
previdenciária, observadas as regras legais aplicáveis.
II.
Os
MEIs são 12% dos contribuintes do INSS e respondem por cerca de 1% da
arrecadação, com déficit atuarial já contratado estimado em R$ 711 bilhões.
III.
Milhões
de microunidades operando sem escala, capital, tecnologia ou acesso ao crédito,
enfrentam limitações de produtividade e podem acabar reproduzindo situações de
subemprego formalizado, com CNPJ.
·
Meio ambiente e saneamento. Universalização do acesso aos
serviços de saneamento básico para a população de todos os municípios, com
metas específicas de cobertura de água, esgotamento sanitário, resíduos sólidos
e drenagem urbana. Fazer cumprir a separação de resíduos sólidos em
residências, empresas, repartições e escolas (Lei 12.305/2010, Decreto 10.936/2022
e Resolução CONAMA 275). Implementar a entrega/coleta seletiva de recicláveis.
Substituir plásticos em embalagens por materiais biodegradáveis e renováveis,
com proibição de importar produtos que não sigam o mesmo padrão. Realizar ações urgentes, efetivas, eficientes e
eficazes quanto a ocupações e construções irregulares. Adotar medidas preventivas em relação às
repetidas calamidades anuais em época de chuvas: inundações, enchentes,
enxurradas, quedas de barreiras, desmoronamentos, deslizamentos, destruição de
barracos e entupimento de bueiros/galerias, o que provoca muitas mortes e
enormes prejuízos materiais (cujas causas já foram mapeadas tecnicamente);
·
Educação para a cidadania. Incluir nos currículos escolares
noções de Constituição, Código Civil e Penal, Código de Defesa do Consumidor, Estatuto
da Criança e do Adolescente, Estatuto da Pessoa Idosa, Lei Maria da Penha,
trânsito, orçamento participativo, higiene, alimentação saudável, ecologia,
cooperativismo, energias alternativas e funcionamento dos três poderes. Um povo
que conhece seus direitos e o funcionamento do Estado é um povo mais difícil de
enganar.
Por
que vale a pena apostar nessa agenda
Primeiro, porque ela é
coerente. Ataca a raiz dos problemas, como juros, renúncias, privilégios e
opacidade, em vez de punir quem já tem pouco.
Segundo, porque é
verificável, com metas claras que permitem acompanhamento, cobrança pelo povo, transparência
e avaliação de resultados e impactos.
Terceiro, porque ela dá o
exemplo. Pede mais do Estado e da política antes de pedir da sociedade.
Quarto, porque ela fortalece
o que a eleição mostrou ser mais precioso: uma democracia plena, sustentada
pela participação popular efetiva, pela transparência e por instituições que
funcionem de forma autônoma. Esses são os melhores instrumentos de proteção
contra o autoritarismo.
Há ainda um aviso claro:
onde o Estado sai, alguém entra. No Brasil, esse alguém já tem nome. São as
milícias e facções que vendem segurança, gás, internet, transporte e crédito.
Um Estado presente, justo e transparente é a alternativa a elas.
Convite
O voto decidiu quem
governa. Mas só a efetiva participação popular decide como se governa.
Que o quarto mandato seja
o começo de um novo pacto: mais justo na tributação, exemplar na gestão, aberto
à voz do povo, rigoroso com privilégios e firme na defesa da Democracia.
Não basta torcer. É
preciso ocupar o debate, cobrar compromissos e seguir mobilizado.
O Brasil quer mais, e
merece.
EDIVAN BATISTA CARVALHO
Análise Econômico-Financeira, Crédito e Planejamento.
Fortaleza (CE)





