Propomos ao Ministério da Saúde a análise técnica e estratégica para criação e implementação do Prontuário Eletrônico Nacional da Saúde (PENS), com o objetivo de integrar informações clínicas dos cidadãos em plataforma digital única, segura e interoperável.
A inexistência de um sistema nacional unificado gera
fragmentação de dados, retrabalho, exames repetidos, aumento de custos e riscos
assistenciais.
Um prontuário eletrônico nacional permitiria maior
continuidade do cuidado, redução de desperdícios e melhoria da gestão pública
em saúde.
O sistema poderia utilizar como identificador primário o
CPF vinculado a mecanismos robustos de autenticação e criptografia.
Mediante autorização legal e observância estrita à Lei
Geral de Proteção de Dados (LGPD), seria possível visualizar e inserir informações
médicas, para cada cidadão:
·
Nome
completo, idade, número do celular, endereço, CEP;
·
Tipo
sanguíneo;
·
Fator
RH;
·
Altura;
·
Peso;
·
IMC;
·
Pressão
arterial;
·
Histórico
de doenças;
·
Comorbidades;
·
Medicamentos
de uso contínuo;
·
Alergias
registradas;
·
Datas
de atendimentos;
·
Sintomas
relatados;
·
Prescrições
e procedimentos realizados;
·
Registro
de consentimento digital do paciente em cada atendimento.
O acesso ao sistema seria restrito a profissionais
habilitados, mediante autenticação individual, controle por níveis de permissão
e registro de logs de auditoria, conforme especialidade, função e diretrizes da
LGPD.
O modelo deve incluir governança nacional, protocolos de
interoperabilidade (ex.: padrão HL7/FHIR), infraestrutura em nuvem
governamental certificada e mecanismos de cibersegurança.
Benefícios Esperados:
·
Redução
de exames duplicados e desperdícios;
·
Maior
segurança clínica (redução de erros de medicação e alergias não registradas);
·
Agilidade
nos atendimentos;
·
Histórico
clínico viabilizar atendimento mais qualificado, customizado, eficaz;
·
Evitar
efeitos colaterais devido à interação de medicamentos;
·
Economia
com redução de exames repetidos;
·
Dados
consolidados para planejamento epidemiológico;
·
Transparência;
·
Melhor
controle de gastos públicos.
Implementação Gradual:
1. Benchmarking com países que adotaram
sistemas nacionais integrados;
2. Identificar evidências de impacto
positivo em países que já adotaram sistemas nacionais de prontuário eletrônico;
3. Estudo de impacto orçamentário;
4. Modelo de financiamento (fundos de
inovação em saúde digital, SUS Digital, etc);
5.
Avaliar a necessidade de normas técnicas
nacionais obrigatórias / incentivos para adesão;
6. Projeto de Lei, se
for o caso, e tramitação no Congresso Nacional;
7. Projeto piloto em estados selecionados;
8. Integração no âmbito do SUS, priorizando
atenção primária e urgência/emergência;
9. Integração com sistemas hospitalares
públicos estaduais e municipais;
10. Integração com operadoras de planos de
saúde e rede privada.
Comparativo Internacional de Prontuários
Eletrônicos:
|
País |
Modelo |
Interoperabilidade |
Governança |
Segurança |
Benefícios observados |
|
Estônia |
Sistema
nacional único, integrado ao e-Government |
Total,
todos os hospitais e clínicas conectados |
Ministério
da Saúde + Agência de e-Government |
Identidade
digital única, criptografia avançada |
Redução
de custos administrativos, acesso rápido ao histórico clínico, maior
confiança do cidadão |
|
Reino
Unido (NHS Digital) |
Plataforma
nacional com integração regional |
Parcial,
integração em andamento com sistemas locais |
NHS
England |
Autenticação
forte, logs de auditoria |
Melhoria
na coordenação do cuidado, redução de exames duplicados |
|
Canadá |
Sistema
federativo, cada província com prontuário eletrônico integrado ao nível
nacional |
Interoperabilidade
progressiva via Infoway |
Canada
Health Infoway (organização pública) |
Normas
técnicas nacionais, segurança em nuvem |
Dados
consolidados para políticas públicas, maior eficiência em emergências |
|
União
Europeia (European Health Data Space) |
Espaço
digital europeu para compartilhamento transfronteiriço |
Interoperabilidade
entre países membros |
Comissão
Europeia |
Padrões
HL7/FHIR, GDPR |
Facilita
mobilidade de pacientes, pesquisa e inovação em saúde |
|
Brasil
(Proposta PENS) |
Plataforma
nacional única, interoperável |
Prevista
integração SUS + rede privada |
Ministério
da Saúde |
LGPD,
CPF como identificador, nuvem governamental |
Continuidade
do cuidado, redução de custos, dados epidemiológicos integrados |
Síntese:
·
Estônia
é o caso mais avançado, com prontuário nacional totalmente integrado e seguro.
·
Reino
Unido e Canadá mostram modelos em evolução, com integração gradual e foco em
governança pública.
·
União
Europeia aposta em interoperabilidade transnacional, reforçando padrões
técnicos.
·
Brasil
(PENS) pode se inspirar nesses modelos, adaptando à realidade federativa e ao
SUS, com forte atenção à LGPD e infraestrutura nacional.
Referências:
·
Instituto
de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). (2025). Open Health: Uma nova era
para a Gestão Digital da Saúde Suplementar Brasileira. Apresenta casos
concretos de países como Estônia, Finlândia, Reino Unido e Índia, que já
implementaram modelos avançados de compartilhamento seguro e consentido de
dados de saúde, promovendo maior integração entre sistemas e melhorando a
experiência do paciente.
·
World
Health Organization (WHO). (2021). Global strategy on digital health
2020–2025. Define diretrizes para adoção de sistemas digitais interoperáveis
em saúde, destacando a importância de prontuários eletrônicos nacionais para
continuidade do cuidado e eficiência dos sistemas de saúde.
·
Organisation
for Economic Co-operation and Development (OECD). (2019). Health in the 21st
Century: Putting Data to Work for Stronger Health Systems. Relatório que
mostra como países da OCDE utilizam dados clínicos integrados para melhorar políticas
públicas, reduzir custos e aumentar a segurança do paciente.
·
European
Commission. (2022). European Health Data Space. Projeto europeu que
estabelece infraestrutura digital para compartilhamento seguro de dados de saúde
entre países da União Europeia, com base em padrões como HL7/FHIR.
·
National
Health Service (NHS – Reino Unido). (2020). The NHS Long Term Plan. Documento
estratégico que inclui a expansão do NHS Digital, integrando prontuários
eletrônicos nacionais e regionais para melhorar a coordenação do cuidado.
·
Estonian
Ministry of Social Affairs. (2018). Estonian e-Health Strategy. Relata a
experiência pioneira da Estônia em prontuário eletrônico nacional, interoperável
e acessível por meio de identidade digital única.
·
WHO
(2021). Global strategy on digital health 2020–2025.
·
OECD
(2019). Health in the 21st Century: Putting Data to Work for Stronger Health
Systems.
·
Estonian
Ministry of Social Affairs (2018). Estonian e-Health Strategy.
·
NHS
England (2020). The NHS Long Term Plan.
·
European
Commission (2022). European Health Data Space.
·
IESS
(2025). Open Health: Uma nova era para a Gestão Digital da Saúde Suplementar
Brasileira.